Série em vídeo destaca participação brasileira na construção do maior telescópio do mundo

Foto: Divulgação/YouTube GMT Brasil

Último episódio da série “Mirando as Estrelas”, do projeto GMT Brasil, mostra equipe brasileira no projeto de instrumentação do Extremely Large Telescope, que promete revolucionar a astronomia

 

A participação brasileira na construção do maior telescópio do mundo ganhou destaque no encerramento da série Mirando as Estrelas, iniciativa de difusão científica do projeto GMT Brasil. No episódio final, já disponível no YouTube neste link, o foco é o instrumento Mosaic, desenvolvido para o Extremely Large Telescope (ELT), em construção pelo Observatório ESO, no Chile. A produção apresenta o trabalho da equipe brasileira, que inclui pesquisadores da USP, envolvida no projeto de instrumentação do ELT, conhecido como “o maior olho do mundo no céu” e apontado como uma futura revolução na astronomia.

“Essa temporada foi especial. Uma série de divulgação focada na instrumentação astronômica profissional e de ponta é algo único no País. É fruto da qualidade da nossa equipe científica e de comunicação combinadas. É um presente para os amantes da tecnologia e astronomia”, destaca Eduardo Cypriano, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) e coordenador da equipe de difusão científica do projeto.

A partir de modelagens 3D, o episódio apresenta o projeto conceitual do Multi-Object Spectrograph for Astrophysics, Intergalactic-Medium Studies and Cosmology, o Mosaic, com destaque para o Core System — parte do instrumento sob responsabilidade de uma equipe brasileira. Integrante da primeira geração de instrumentos do ELT, o espectrógrafo multiobjeto promete transformar a investigação dos objetos mais distantes do Universo e conta com a participação de Beatriz Barbuy, coordenadora do Mosaic no Brasil e professora do IAG-USP, e de Bruno Vaz Castilho, pesquisador do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e membro da equipe científica do instrumento.

O maior olho do mundo no céu

O Extremely Large Telescope (ELT) é um telescópio óptico e infravermelho em construção pelo European Southern Observatory (ESO). Como o maior telescópio da sua geração, ele contará com um espelho primário de 39,3 metros de diâmetro, por 798 segmentos de vidro. A construção acontece no topo do Cerro Armazones, no deserto do Atacama, no Chile, uma região escolhida por oferecer baixa poluição luminosa, altitude elevada e condições atmosféricas muito favoráveis às observações astronômicas.

Com tecnologia de ótica adaptativa e instrumentação de ponta, o ELT permitirá captar luz de objetos distantes — incluindo exoplanetas, as primeiras galáxias e buracos negros — com nitidez e profundidade inéditas. A expectativa é que a primeira luz, ou seja, as primeiras observações, aconteça em 2029 e que o telescópio esteja completamente operacional na década de 2030.

Veja abaixo o 10° e último episódio da série Mirando as Estrelas:

 

Mirando as Estrelas

Mirando as Estrelas é uma iniciativa de difusão científica a partir da parceria entre o escritório brasileiro GMT Brasil, o IAG/USP, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a realização da TV Univap, da Universidade do Vale do Paraíba, com apoio do Laboratório Nacional de Astrofísica. O objetivo da produção é apresentar a história da instrumentação astronômica no País e quais são os principais projetos nacionais e internacionais que contam, atualmente, com a participação dos nossos cientistas, engenheiros e técnicos para o design e desenvolvimento tecnológico de ponta para os telescópios mais importantes da atualidade.

A cada episódio a série mostra-se como uma vitrine para colaborações entre diferentes áreas do conhecimento. “Foi uma oportunidade de mostrar a relevância do trabalho interdisciplinar e do diálogo entre astrônomos e engenheiros tanto para a produção da série quanto para tornar possível esses telescópios e instrumentos,” explica Claudia Mendes de Oliveira, professora do IAG e cocoordenadora do projeto GMT-Fapesp.

A lista de convidados reúne profissionais renomados de algumas das maiores instituições de pesquisa do Brasil, incluindo: Claudia Vilega Rodrigues (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe); Bruno Vaz Castilho e Dr. Luciano Fraga (Laboratório Nacional de Astrofísica – LNA); e Claudia Mendes de Oliveira, Dr. Laerte Sodré Jr. e Rafael Ribeiro (IAG).

A gerência do projeto GMT-Fapesp, formada por Daiana Ribeiro Bortoletto e José Octávio Paschoal, celebrou a conclusão da série por meio de uma nota conjunta: “O ano de 2025 foi particularmente exitoso ao concluir essa série inédita de vídeos no Brasil. Com uma equipe altamente qualificada, formada por professores, pesquisadores, consultores e bolsistas do IAG e da Univap, foi possível levar a cabo essa missão desafiadora, alcançando resultados surpreendentes que certamente irão estimular jovens pesquisadores a participar mais ativamente de pesquisas em astronomia”.

“Para entendermos a natureza dos astros, os astrônomos precisam extrair toda a informação disponível na radiação que recebemos. Porém, isso é um grande desafio e o avanço de nosso conhecimento depende do contínuo aprimoramento dos telescópios e detectores. Essa série mostrou o engajamento brasileiro nessa fascinante jornada. É muito gratificante ter feito parte disso”, afirma Laerte Sodré Jr, cocoordenador do projeto.

O Brasil no GMT

Desde 2014, a Fapesp é membro-fundadora do consórcio GMTO, a partir de um investimento de US$ 50 milhões, o que equivale a 4% do tempo de operação anual do telescópio para cientistas do Estado de São Paulo. A equipe brasileira possui mais de 70 profissionais de diversas áreas, incluindo professores, consultores, técnicos e bolsistas, que formam o escritório GMT Brazil Office (GMTBrO), atualmente liderado pelo IAG/USP. Participam também desta equipe professores e colaboradores do Instituto de Física e da Escola Politécnica da USP, do Instituto Mauá de Tecnologia, do Instituto de Física da Universidade de Campinas (Unicamp), da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), entre outros.

Mais informações no site do projeto GMT ou nas redes sociais do YouTubeFacebookInstagram e Twitter.


Texto adaptado da Assessoria GMT Brasil – Jornal da USP