Para inspirar a leitura neste final de ano

Fotomontagem Jornal da USP feita com imagens de ikaika/Freep!k e capas dos livros

Recente pesquisa mostra que o brasileiro lê cada vez mais livros impressos. O “Jornal da USP” traz algumas sugestões para este período mais tranquilo

 

Uma pesquisa divulgada recentemente acerca dos hábitos culturais do brasileiro coloca a leitura de livros impressos entre as atividades de lazer cultural preferidas no País. Trata-se de uma ótima notícia, principalmente quando ainda parece ativa a ideia, muito repetida em forma de clichê, de que “o brasileiro não lê”. Mas, como demonstra a pesquisa, essa máxima está longe de ser verdadeira. Então, nada melhor do que incentivar o hábito cultural da leitura neste final de ano com alguns títulos interessantes – como os quatro a seguir que o Jornal da USP selecionou. Boa leitura e boas festas.

 

A Faculdade de Educação e a formação docente na USP

Diana Gonçalves Vidal e Bruno Bontempi Jr. Edusp. 160 p.

Este livro, selecionado por meio de edital de ensaios comemorativos do nonagésimo aniversário da Universidade de São Paulo, reconstrói com rigor a trajetória da formação docente na USP desde a criação do então Instituto de Educação de São Paulo, em 1933, à consolidação da Faculdade Educação, passando pela Seção de Pedagogia da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras – com destaque para os embates em torno do ensino “profissionalizante” e o papel estruturante da pesquisa educacional. Os autores, professores da Faculdade de Educação da USP, revelam em seu trabalho disputas, projetos e reinvenções, convidando o leitor a compreender como se forjou um dos mais influentes espaços de reflexão  e formulação em educação no Brasil.

O acentos de conteúdo – semiótica do mais e do menos

Luiz Tatit. Ateliê Editorial. 249 p.

Neste livro, Tatit – músico, compositor e professor sênior do Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humana da USP (FFLCH) – apresenta como a semiótica do mais e do menos investiga o grau de apreciação atribuído aos nossos conteúdos do dia a dia. O apogeu do mais, por exemplo, define o máximo de envolvimento afetivo do sujeito com o conteúdo por ele selecionado num determinado contexto. Já o apogeu do menos se dá toda vez que o vínculo subjetivo com alguém ou com algo se desfaz a ponto de retirá-los bruscamente do horizonte.  O mais e o menos são dispositivos semióticos e é a partir de seus conceitos e combinações que Tatit discorre sobre sua fina análise, levando à reflexão de que nossas vidas valem a pena pelos acentos, pelos instantes em que captamos a relevância afetiva de um determinado conteúdo.

 

Michel Foucault e a soberania

Jonathas Ramos de Castro. Editora Enguaguaçu.184 p.

Originalmente parte da dissertação de mestrado apresentada pelo autor na Faculdade de Direito da USP, este livro analisa os mecanismos de uma moderna forma de autoridade, que Michel Foucault chamava de “biopolítica”, “poder sobre a vida” ou “governo dos vivos”, em uma referência à mudança que ocorreu a partir do século 17 com as estruturas do poder típicas da relação de soberania: em lugar do direito inalienável do soberano de fazer morrer ou deixar viver, entra em cena a capacidade de administrar a vida de maneira a torná-la boa e útil ao longo do tempo. Ao expor as ideias de um dos grandes pensadores do século 20 sobre um aspecto pouco percebido da política contemporânea, Ramos de Castro, em seu livro, dá uma valiosa contribuição para a compreensão e para o “diagnóstico radical” – como pretendia Foucault – da sociedade ocidental.

 

Sonho primaveril

Atílio Avancini e Shiro IYanaga. Kyoto University e ECA-USP. 212 p.

O que acontece quando um professor brasileiro se encontra c om um professor japonês? Muita pesquisa e papers, pensarão muitos – e não estão errados. Mas o que pode acontecer também nessa parceria acadêmica – e aí está uma possível surpresa – é nascer um songbook como este Sonho primaveril, criado pelo professor Atílio Avancini, do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), e pelo professor Shiro Iyanaga, da Kyoto University of Foreign Studies. Avancini esteve em Kyoto entre 2006 e 2007, por meio de um convênio firmado entre a USP e a aquela universidade japonesa. Lá, conheceu o professor e músico Iyanaga. O resultado? Este songbook com 39 canções autorais apresentadas em três frentes: partitura musical, letra-poesia e fotografia. Pode-se ver este livro como uma obra diádica – e ela o é, também – mas, antes de tudo, trata-se um interessante trabalho de interação cultural que vai muito além das fronteiras criadas pela geopolítica.


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