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A arte de tornar comum: 35 anos de história, rádio e conexões humanas
Minha Paixão pela Comunicação
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Por Dito Silva – Gerente de Comunicação e Marketing no Sicoob Médio Oeste
“Minha paixão pela comunicação começou aos 9 anos, na Copa do Mundo de 1982. Eu morava em uma fazenda e, com o ouvido colado no rádio, acompanhava as narrações do saudoso Fiori Gigliotti, na Rádio Bandeirantes. Aquela voz emocionante, que transformava o futebol em poesia, me fazia sonhar acordado.
Eu ouvia as narrações e, logo depois, corria para o terreirão de café para jogar futebol sozinho. Ali, com uma bola nos pés e a imaginação a mil, eu repetia, do meu jeito, os bordões do grande Fiori. Eu era o narrador, o jogador e a torcida ao mesmo tempo. Foi ali, no pó do terreiro da fazenda, que nasceu o comunicador.
O tempo passou e a paixão pela comunicação só aumentou. Passei a acompanhar tudo no rádio e na TV. Mestres como Luciano do Vale, Osmar Santos, Lombardi Junior e tantos outros foram fundamentais para minha decisão de um dia ser um comunicador. Eles me mostraram que comunicar é emocionar.
O sonho quase não se transformou em realidade, mas a persistência valeu a pena e, graças ao incentivo de muitos amigos, ao apoio e respaldo de muita gente boa que acreditou em mim, em 1990 eu tive a chance. Fui chamado para fazer um teste na Rádio Jornal. Foi a porta que se abriu.
No rádio regional também existiram grandes mestres que foram minha escola diária, como Afonso Carlos, Cloves de Almeida, José Costa, José Claudio Bernardes, Barbosa Filho, Thiago de Amorim Novaes e tantos outros que me inspiraram e me ensinaram o valor da voz que informa com credibilidade e proximidade.
Em resumo, são 35 anos de história e de amor ao microfone: 16 anos de Rádio Jornal, 14 anos de Vale Verde FM e 3 anos de Massa FM. Também passei pela Piti FM, Jornal O Regional, Folha Vale Verde e outros veículos que me ensinaram muito e que carrego com gratidão em cada palavra levada ao ar. Hoje, exerço a função de gerente de Comunicação e Marketing no Sicoob Médio Oeste, uma experiência maravilhosa de aprendizado e crescimento profissional, e foi o rádio que me trouxe até aqui.
COMUNICAÇÃO: A ARTE DE TORNAR COMUM
Na língua portuguesa, poucas palavras são tão amplas e poderosas quanto comunicação. Vinda do latim communicare, que significa tornar comum, partilhar, pôr em contato, ela é a base de tudo que somos e construímos.
Comunicar é transmitir, é receber, é compartilhar ideias, informações e sentimentos. É o fio invisível que nos une. É o que transforma um ajuntamento de pessoas em comunidade, um grupo de colaboradores em equipe e uma boa ideia em um projeto que muda realidades.
Nessa área contagiante, desafiadora e transformadora, aprendi que, perto dos grandes comunicadores que tivemos e temos em nosso município, na região, no Brasil e no mundo, ainda sou um mero aprendiz.
Mas se tem algo que esses anos me ensinaram, é sobre o compromisso e a responsabilidade que essa profissão exige. Comunicar não é só falar. É ter consciência do impacto que cada palavra gera. É entender que uma mensagem mal colocada pode gerar ruído, afastar e até ferir, enquanto uma comunicação bem feita acolhe, esclarece e aproxima.
E nunca foi tão desafiador como hoje. Vivemos cercados de tecnologia, internet, redes sociais e inteligência artificial. Ferramentas fantásticas, mas que tornam cada vez mais difícil manter uma comunicação clara, responsável, atenta e eficaz. Vivemos na era da pressa, do áudio acelerado, do texto resumido pela máquina e da opinião dada sem reflexão.
Estamos, aos poucos, perdendo a essência. A essência do ler com calma, do escrever com alma, do expressar com verdade. Estamos terceirizando para mecanismos que falam, se expressam, produzem e, literalmente, agem por nós. E quando terceirizamos o que sentimos, corremos o risco de perder a nossa própria voz.
Precisamos resgatar isso. Sem comunicação não há convivência, não há cultura, não há organização. Ela se encaixa em tudo. Na família, na escola, na empresa, na vida em sociedade. Onde há gente, precisa haver comunicação.
No mundo corporativo, por exemplo, ela precisa ser estratégica. Alinhada à cultura organizacional, com propósito e verdade, para que possa gerar conexão e alcançar resultados reais. Uma empresa que não se comunica com clareza com seu público interno e externo, não cria vínculo, não gera confiança e não se sustenta.
No fim, comunicar é um ato de humanidade. É tornar comum o que temos de melhor: o conhecimento, o afeto, a experiência e a esperança.”
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