Nem filósofo e tampouco um acadêmico conceituado. Somente um simples entusiasta da contemplação da vida – um cidadão comum.
Dada a abstração do nosso tema, vamos, antes de qualquer coisa, contextualizar:
- filosofia vem do grego philosophía e significa “amor à sabedoria”; é a busca racional e reflexiva por compreender a existência, o conhecimento, os valores e, por fim, o sentido da vida;
- vida comum é aquilo que pertence ao cotidiano das pessoas; a experiência ordinária, sem palco, sem títulos, sem excepcionalidades históricas; composta por trabalho, relações, escolhas e rotinas.
Sendo assim, qual será a filosofia da vida comum?
A época em que vivemos é, pra dizer o mínimo, caótica. E se for pra dizer o máximo… bom, não existem palavras suficientes em nenhum dos aproximadamente 7.000 idiomas conhecidos.
Vivemos uma era de excessos. Excesso de informação, de opinião e de ruído, mas enfrentamos ainda uma constante ausência de sentido.
Seja sincero, exatamente como seria se tivesse certeza de que ninguém fosse saber a verdade: você já parou pra pensar sobre o que é “ser humano”? Se não, talvez esteja deixando de pensar sobre uma das duas únicas certezas que realmente lhe pertencem.
Talvez essa pergunta seja incômoda porque pressupõe que já não exercitamos algo essencial: a capacidade de nos perceber e pensar como indivíduos.
“Ser humano”, hoje, parece significar seguir e reagir. Mas reagir é diferente de pensar, e seguir é diferente de escolher.
E se a filosofia da vida comum for reaprender a pensar no meio de tanto automatismo?
Não a pensar como especialista ou como ideólogo. Mas pensar como alguém que se recusa a ser conduzido sem perceber, sem entender e principalmente, sem questionar.
Vivemos tempos em que a informação é abundante, mas a reflexão é rara.
Talvez o caos não seja somente sobre os acontecimentos grotescos do mundo, mas sobre a incapacidade coletiva de interpretá-los com profundidade. Porque profundidade exige muita presença. E é só na vida comum que podemos, vamos dizer, “exercer” a tal presença.
A vida comum é tão complexa e poderosa quanto as mais sofisticadas filosofias. É nela que podemos entender a força de estar presente. E é por isso que estamos cercados de tantas distrações.
A filosofia da vida comum pode ser também sobre resistir à necessidade constante de buscar o extraordinário. Afinal, na maioria das vezes o “extraordinário” é somente sobre excessos… excesso de fama, de dinheiro, de poder, de conquistas e blá blá blá. Poucos acreditam que o extraordinário pode habitar o simples.
A vida comum, na maioria das vezes, passa despercebida e, com ela, talvez, nossa única chance de ser verdadeiramente felizes. Afinal, só deve ser possível ser feliz trazendo para o instante vivido toda a justificativa daquela experiência. Se o futuro é mesmo incerteza e o passado é realmente intocável… Tudo o que temos só pode estar diante do agora.
E “ser humano”? Bom, “ser humano” deve significar, além de tudo, ser limitado.
E a filosofia da vida comum talvez seja aprender a viver bem apesar — e por causa — dessas limitações.
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