Descanso como parte da “alta performance”

Descanso como parte da “alta performance”
Foto: Freepik

Descanso como parte da “alta performance”; excesso de estímulo e cansaço crônico; por que dormir mal virou normal?; pequenas mudanças na rotina que melhoram saúde e qualidade de vida. Esses são alguns dos próximos temas abordados pelo Portal Boa Notícia. Afinal, saúde e bem-estar são sempre uma boa pauta.

*Nota do autor: Este texto não pretende oferecer fórmulas prontas nem receitas universais. A ideia é refletir um pouco sobre como saúde e bem-estar vêm sendo tratados em um contexto de estímulo constante, cobrança por alto desempenho e excesso de informações.

Com a escalada das telecomunicações, o superdesenvolvimento da internet e o crescimento massivo das redes sociais, as principais plataformas digitais se transformaram em um campo minado de “especialismos”. Ok, essa palavra não existe. Mas aposto que você entendeu.

Alguns dados mostram que a autodeclaração “especialista” ganhou destaque nas biografias das redes nos últimos anos. Durante a pandemia da Covid-19, aquele momento assustador e de muitas incertezas, a internet passou a ser uma ferramenta fundamental. Com o aumento da necessidade de presença digital das empresas e dos prestadores de serviço, observamos também um crescimento significativo da competição comercial e da necessidade de se diferenciar no mercado, o que tornou os jargões de “superespecialização” um elemento central na estratégia de praticamente qualquer empresa e profissional.

O que isso significa? Que todo mundo virou especialista. Não no sentido literal da coisa, mas dentro de um contexto em que qualquer pessoa passou a poder se apropriar desse título. E, em cenários de incertezas, medo e pressão emocional, convicção vende. Boa oratória convence. E tudo isso converte. O problema é que nem sempre é verdade.

Os cuidados com o corpo e com o emocional, por exemplo, evoluíram de questões estéticas e de saúde para discursos sobre “alta performance física e mental”, um movimento que, por meio de uma filosofia poderosa, oferece sensação de controle, organização e domínio sobre a própria vida — algo especialmente sedutor em tempos de instabilidade.

Mas, afinal, o que é saúde e bem-estar? Existe alguma fórmula mágica capaz de nos conduzir a uma vida boa? Todos deveríamos amar exercícios físicos?

É provável que não. Absolutismos, fórmulas mágicas, soluções práticas e rápidas… tudo vendido como métodos infalíveis e incontestáveis. É aí que mora o problema.

Algumas coisas são óbvias e fundamentais na tentativa de garantir uma boa saúde, é verdade. Comer bem, dormir um número adequado de horas, manter movimentos regulares, evitar drogas e adotar cuidados básicos fazem diferença. A questão é: o que eu como ou deixo de comer, a minha rotina de exercícios, a maneira como eu lido com esses pontos fundamentais à saúde devem se tornar critérios para julgamento moral?

Fenômenos interessantes emergem desse cenário: o padrão de excessos implícito em alguns movimentos amplificados pela internet; a forma quase militar, rígida ou monacal com que certas pessoas passam a tratar seus hábitos, hobbies ou rotinas — que, muitas vezes, assumem o status de “especialidade”.

Para aprofundar essa reflexão, ao longo da próxima semana, o Portal Boa Notícia irá dialogar com especialistas e profissionais de algumas áreas da saúde, abordando temas como descanso, sono, qualidade de vida e saúde sem culpa, buscando ampliar o debate e oferecer diferentes olhares sobre bem-estar em tempos de alta exigência.

Alerta: Antes de adotar novas práticas de cuidado físico, iniciar um novo exercício ou esporte ou até mesmo apostar em um novo investimento, busque informação de qualidade e especialistas de boa referência. A internet é uma ferramenta importante e oferece muitos benefícios, mas é importante lembrar que a vida real é muito diferente dos reels.


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