Alerta: estamos preparados para o impacto de um asteroide?

Alerta: estamos preparados para o impacto de um asteroide?
Crédito: depositphotos.com / rfphoto

De tempos em tempos, surgem manchetes afirmando que a Terra está “indefesa” diante de algum de asteroide vagando pelo espaço. A ideia é forte, quase cinematográfica, mas o que isso realmente significa?

A verdade, como quase tudo quando falamos sobre espaço, é mais complexa — e menos apocalíptica — do que parece.

Existem mesmo milhares de asteroides não detectados?

Sim. Mas isso não significa que todos estejam vindo em nossa direção.

A NASA e outras agências espaciais monitoram constantemente os chamados Objetos Próximos da Terra (NEOs), asteroides e cometas cuja órbita passa relativamente perto do nosso planeta.

Estima-se que existam dezenas de milhares de objetos com mais de 140 metros de diâmetro nessa região orbital. Muitos já foram identificados, mas uma parcela significativa ainda não foi catalogada.

E aqui está o ponto importante: “não identificado” não é sinônimo de “em rota de colisão”. Significa apenas que ainda não foi mapeado com precisão.

A Terra está realmente indefesa?

Depende do que entendemos por “defesa”.

Não existe um escudo espacial capaz de destruir qualquer rocha que se aproxime do planeta. Mas também não estamos olhando para o céu de olhos fechados.

Nos últimos anos, os sistemas de monitoramento evoluíram muito. Telescópios terrestres rastreiam o céu constantemente, e novas missões estão sendo desenvolvidas especificamente para identificar objetos menores e mais difíceis de detectar.

Em 2022, por exemplo, a missão DART conseguiu alterar levemente a órbita de um asteroide em um teste real de defesa planetária — provando que, pelo menos em teoria, temos capacidade tecnológica para intervir.

Ou seja: não estamos indefesos, mas também não estamos totalmente blindados.

Qual é o risco real?

Impactos capazes de causar extinções em massa, como o que ocorreu há 66 milhões de anos, são extremamente raros e hoje praticamente todos os objetos desse porte já foram mapeados.

A preocupação maior da ciência está nos chamados “asteroides de escala regional”: grandes o suficiente para causar destruição significativa em uma cidade ou região, mas pequenos o bastante para ainda escaparem dos sistemas de detecção.

A probabilidade de um impacto significativo no curto prazo é considerada baixa. Ainda assim, a vigilância continua justamente porque o espaço é dinâmico e ser pego de surpresa não é uma variável aceitável quando se fala em riscos globais.

Então, afinal, devemos nos preocupar?

Talvez a palavra não seja “preocupação”, mas “preparação”.

O céu não está prestes a cair sobre nossas cabeças. Mas também não estamos ignorando o que acontece acima delas. A defesa planetária é uma área relativamente nova da ciência. Estamos, literalmente, aprendendo a proteger o planeta em tempo real.  A diferença entre sensacionalismo e ciência está justamente nisso: entender o risco real, sem amplificá-lo além da conta.

E nesse ponto, a Terra pode não ter um escudo, mas certamente já tem olhos atentos voltados para o espaço.


Portal Boa Notícia – Com informações públicas

 

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