Ex-alunos do Agrinho, profissionais de excelência
Conheça a história de ex-participantes que foram inspirados pelo programa do Sistema FAEP/SENAR-PR e que hoje são referências em suas respectivas áreas
Bianca Ogliari é responsável pelos processos de inovação de produto de uma das marcas do Grupo Boticário. Douglas Thaynã Vieira de Souza é médico especialista em saúde da família e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Leandro Volanick é CEO da Manfing, uma startup avaliada em R$ 19 milhões. Eles não se conhecem, mas têm um ponto em comum: ainda na infância ou pré-adolescência foram vencedores de concursos do Agrinho, maior iniciativa social do Sistema FAEP/SENAR-PR. O impacto que o programa exerceu na vida deles foi além do prêmio. As atividades pedagógicas propostas contribuíram para a escolha do caminho profissional seguido por cada um.
Bianca, Douglas e Leandro são exemplos de excelência, de um universo muito maior de estudantes que tiveram a vida impactada pelo Agrinho. A cada ano, o programa envolve mais de 1 milhão de alunos das redes pública e privada, de todos os municípios do Paraná. Ao longo de suas 27 edições, mais de 5,7 mil foram premiados. Além disso, a iniciativa envolve, anualmente, mais de 50 mil professores, como Edna Aparecida Filipim, uma entusiasta do Agrinho, que já participou de 20 edições do programa e que hoje é coordenadora pedagógica do Núcleo Regional de Educação da Secretaria de Estado da Educação (Seed), em Goioerê, no Noroeste do Estado.
“O Agrinho já faz parte do calendário da educação paranaense. É um dos programas de que nós, do Sistema FAEP/SENAR-PR, mais nos orgulhamos. São 27 anos de história. E ao longo desse tempo todo, temos visto o quanto essa iniciativa muda a vida dos alunos”, ressalta o presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette.
O médico-educador
Aos oito anos, Douglas Vieira de Souza estava numa ansiedade sem precedentes em 2002. Morador de Bragantina, distrito do município de Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná, era a primeira vez que viajava a Curitiba. Passou a noite na estrada, ao lado do pai e da mãe, para participar de cerimônia de premiação do Agrinho daquele ano. Filho de uma professora e aluno aplicado, Douglas era um dos finalistas na categoria Redação.
Douglas Vieira de Souza / Foto: Felippe Aníbal
“Foram anunciando os vencedores. Quando chegou na minha categoria, falaram que eu ganhei. Eu mal podia acreditar. O Agrinho me incentivou a continuar a estudar. Depois, eu ganhei vários concursos de redação e de poesia”, conta. “Eu só fiquei um pouco bravo, porque o primeiro prêmio era uma televisão e eu estava de olho na bicicleta, que era o quinto prêmio”, recorda, rindo do caso.
Souza se aprofundou nos estudos e, de quando em quando, acompanhava a mãe na escola em que lecionava para o Ensino Fundamental. Além de vivenciar o dia a dia do colégio, o menino se debruçava sobre livros infanto-juvenis (como os da Série Vagalume) e de biologia. Ele cresceu com a ideia de cursar jornalismo, mas no Ensino Médio acabou mudando. “Eu sempre me interessei pelo corpo humano e sempre gostei de cuidar das pessoas. Eu pensei que medicina poderia ser um caminho”, contou.
Seguindo essa trilha, em 2011, Douglas começou a cursar Medicina na PUC-PR, por bolsa de estudos pelo Programa Universidade Para Todos (Prouni). Ao longo do curso, o universitário se fascinou pela medicina de família e comunidade, especialidade que visa o atendimento das pessoas a longo prazo, estabelecendo vínculo com os pacientes. Trata-se de um viés mais humanizado da medicina. Com paixão pela área, se tornou mestre diplomado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e já se prepara para o doutorado.
“Me encanta a possibilidade de estar junto com a família, acompanhando o paciente de forma integrada e contínua. Você cria uma relação muito maior com os pacientes e consegue fazer muito mais por ele”, diz.
Paralelamente, Souza se tornou professor: dá aulas de Medicina do curso da PUC-PR. De certo modo, o médico-professor entende essa sua atuação profissional como uma reconexão com os tempos em que era aluno do Agrinho. “Eu sempre soube que, independentemente da profissão, eu acabaria dando aula. Para os estudantes que fazem o Agrinho, eu diria para aproveitarem as oportunidades que aparecem, porque podem ter repercussão na futura vida profissional. Para mim, o Agrinho marcou muito”, declarou.
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