“23º Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias” debate o tema Ciência Aberta: realidade (im)possível?

O acesso ao conhecimento melhora a qualidade de vida das pessoas e a ciência aberta é algo que precisa ser discutido – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Tema é relevante por ser um acelerador dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

 

23º Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias debaterá o tema Ciência Aberta: realidade (im)possível? A Ciência Aberta é um acelerador dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e bibliotecas ao redor do mundo vêm desenvolvendo novas competências e habilidades para engajar a mais ampla comunidade de pesquisadores nessa pauta essencial.

Adriana Ferrari, chefe técnica da Biblioteca Florestan Fernandes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e vice-presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, comenta a relação das bibliotecas com o desenvolvimento sustentável. “O acesso ao conhecimento melhora a qualidade de vida das pessoas e a ciência aberta é algo que temos que discutir para que, de fato, esse saber que é gerado nas instituições públicas ou com recursos públicos possa estar à disposição da sociedade para construir um mundo melhor. Hoje as bibliotecas fazem muitas ações, constroem repositórios institucionais, gerenciam portais, então elas estão preparadas para apoiar essas mudanças e garantir um acesso global sem barreiras.”

Adriana Ferrari – Foto: Divulgação/Febab

Barreiras da ciência aberta

“A grande questão é que a divulgação de tudo que é produzido é muito centrada na publicação dos papers, que pertencem a grandes empresas comerciais, que visam, obviamente, ao lucro. Dessa forma, os pesquisadores são avaliados pela sua produção e seu fator de impacto, porém, são esses grupos empresariais que possuem o maior impacto e, assim, ditam as regras do conhecimento que é gerado.” Ou seja, os pesquisadores são mais avaliados conforme os locais de publicação de suas pesquisas do que o conteúdo em si.

Com isso, ao publicar um conteúdo em acesso aberto, o autor não vai receber a mesma avaliação que receberia caso publicasse em uma revista paga, que possui um maior fator de impacto. “No meu entendimento, como profissional da área, é necessário primeiramente quebrar essa falsa concepção de que apenas pesquisas publicadas nos grandes papers são relevantes. É necessário mudar a forma de avaliação dos nossos pesquisadores e isso não é só uma questão brasileira, é uma questão mundial. É uma conta que não fecha, pesquisadores têm que pagar para publicarem seus trabalhos, que foi financiado por dinheiro público, a revista tem que vender e, no final, quem sai ganhando são eles.”

Um olhar para o futuro

“É bom que essa batalha esteja finalmente sendo reconhecida pelas pessoas e é importantíssimo o debate dessa questão em ambientes como o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias. Vai se criando um ambiente para esse debate e diversos profissionais, além dos próprios bibliotecários, vão discutir e defender os interesses da ciência para todos.” Adriana finaliza dizendo que o seminário está se demonstrando bem-sucedido, com as inscrições encerradas, mas que o debate não termina por aí. “A partir desse seminário gravaremos as palestras principais, mesas-redondas e discussões. Além disso, contamos com a presença de pesquisadores nacionais e internacionais, o que vai gerar um livro para que possamos registrar e continuar com esses debates. Então pode se dizer que é um grande marco para a ciência aberta, dando luz ao tópico.”


Jornal da USP